Simpósios Temáticos

ST01. Estudos em Fonética e Fonologia das línguas naturais
Coordenadores:

Katia Nepomuceno Pessoa (UFPE/CAA)
Emerson Carvalho (UFRR)


Com o objetivo de estabelecer as relações entre os fenômenos fonéticos e fonológicos das línguas do mundo e explicá-las, várias foram as teorias fonológicas que surgiram ao longo dos tempos. Os modelos teóricos registrados na evolução dos estudos sobre a fonologia das línguas podem ser enquadrados em duas grandes classes: modelos lineares e modelos não-lineares. Os modelos lineares ou segmentais analisam a fala como uma combinação linear de segmentos ou conjuntos de traços distintivos, com uma relação de um-para-um entre segmentos e matrizes de traços, com limites morfológicos e sintáticos. Este é o caso, por exemplo, da teoria gerativa clássica de Chomsky e Halle, que representou uma grande evolução nos estudos sobre a natureza e o funcionamento das línguas humanas (KENSTOWICZ, 1994).Nos modelos não-lineares a noção hierárquica de traço distintivo, considerado unidade básica de representação e de análise da fonologia das línguas, passou a ser fundamental. Os traços distintivos, definidos em termos de propriedades específicas de caráter acústico e articulatório, são as unidades mínimas segmentáveis, que se combinam de diferentes maneiras para formar os sons das línguas humanas. Nestes modelos, as relações entre a fonologia, a morfologia e a sintaxe são explicitadas como parte da estrutura hierárquica que caracteriza as línguas humanas. Dentre as abordagens teóricas não-lineares estão incluídas a Fonologia Autossegmental, a Fonologia Lexical e a Fonologia Métrica (BISOL, 2001). Segundo Wetzels (1995), são vários os aspectos que diferem entre a fonologia não-linear e as noções expostas no clássico SPE. A teoria da Sílaba reconhece a sílaba como uma unidade descritiva necessária e lida com a estrutura interna da sílaba, preocupando-se com a relação entre a sílaba e a generalização fonologicamente significativa. O acento, por sua vez, antes considerado como um traço segmental passa a ser tratado, na Teoria Métrica do Acento como uma propriedade relativa da rima silábica (núcleo e coda). Assim, a rima segue uma hierarquia prosódica, envolvendo os domínios maiores do que a sílaba, como os de pé e de palavra. Na Fonologia Prosódica o objeto de estudo são as categorias prosódicas fonologicamente relevantes, que envolvem domínios mais extensos do que a palavra fonológica (como clítico, frase fonológica, frase entoacional, etc.). Na Fonologia Lexical acredita-se que existem regras lexicais que interagem com a morfologia e regras pós-lexicais insensíveis à estrutura interna da palavra, relevantes para o modo como o falante nativo organiza seu conhecimento sobre padrões fonológicos. Pode-se perceber, a partir deste que cada perspectiva teórica pretende dar conta de algum aspecto de uma dada língua, seja dos sons e suas relações, seja da interação de morfemas e palavras, do ritmo e assim por diante, dando conta de explicar vários fenômenos linguísticos que até pouco tempo não eram satisfatoriamente explanados. Neste simpósio temático cabem estudos comparativos, históricos, descrições sincrônicas ou na área da aquisição e aprendizagem de línguas, relacionados com a área da Fonética/Fonologia (Língua Portuguesa e suas variações, Língua Estrangeira [L2], Línguas Indígenas, entre outras) e a investigação de fenômenos fonológicos presentes nestas línguas, como o estudo de processos que mereçam destaque para a reflexão nesta área.

ST02. Edição de textos e tradições discursivas: aspectos linguísticos e filológicos
Coordenadores:

Áurea Zavam (UFC)
Lucrécio Araújo de Sá Junior (UFRN)


O objetivo deste simpósio é fomentar discussões, teóricas e analíticas, que resultem de estudos que visam os fenômenos linguísticos estudados pelas tradições discursivas, pela Filologia e pelas ciências do léxico. Em função desse objetivo, o simpósio pretende ser um espaço para divulgação de trabalhos que se voltam para a edição, descrição e/ou análise de textos, submetendo-os à apreciação crítica dos pesquisadores presentes ao colóquio, de modo a possibilitar reorientações e novas proposições quanto às formas de compreender e analisar a língua e os textos/documentos de sincronias passadas. O simpósio não se restringirá a uma única vertente teórica, de modo que serão acolhidas propostas que se situem ou façam uso de princípios teórico-metodológicos de áreas afins ou que explorem os documentos nas perspectivas linguística ou filológica. O ponto fundamental é que as propostas visem investigar textos de sincronias passadas, explorando como objeto de estudo as tradições discursivas, a análise diacrônica de gêneros, a edição e a análise de textos manuscritos, os aspectos codicológicos e paleográficos; ou os estudos lexicológicos e terminológicos. Também será essencial que os trabalhos contemplem reflexões sobre os contextos histórico-sociais em que os textos analisados foram engendrados, de modo a fazer articulação entre as dimensões verbal e sócio-histórico-cultural dos textos, reconhecendo que, por estarem em dinâmica e constante atualização nas comunidades linguísticas em que circulam, tais textos são inexoravelmente reelaborados. Espera-se, assim, que os trabalhos apresentados no simpósio possam contribuir com estudos que se voltam para aspectos linguísticos e filológicos dos textos/documentos, ressaltando-lhes o caráter social e diacrônico bem como os contextos, os objetivos e as funções sociais que apresentam, desde suas manifestações mais remotas.

ST03. Análise crítica de gêneros em diversos domínios discursivos
Coordenadores:

Benedito Gomes Bezerra (UPE/UNICAP)
Jaciara Josefa Gomes (UPE)


A necessidade da incorporação de um componente crítico à análise de gêneros vem sendo defendida desde o início dos anos 2000 com Meurer (2002) e Bhatia (2004). Quer seja pelo diálogo com a Análise Crítica do Discurso, quer pela aproximação com outras abordagens teórico-metodológicas, essa vertente de estudos de gêneros tem oferecido aos pesquisadores a oportunidade de desvelar não só os aspectos textuais como também os componentes discursivos característicos de gêneros acadêmicos, jornalísticos e jurídicos, entre outros, além de proporcionar investigações bastante fecundas de questões ligadas ao ensino baseado em gêneros. Assim, neste simpósio temático, serão acolhidas propostas de comunicações resultantes de pesquisas caracterizadas por uma abordagem crítica, tomando como objeto os mais diferentes gêneros, quer acadêmicos, profissionais ou escolares, quer escritos ou orais, quer baseados em mídias e suportes tradicionais ou em mídias digitais mais recentes

ST04. Linguística Textual e a multiplicidade de fatores concernentes à produção e compreensão de sentidos
Coordenadores:

Valdinar Custódio Filho (UECE)
Franklin Oliveira Silva (UESPI)


Pretende-se, neste simpósio, reunir trabalhos abrigados sob o enfoque teórico da linguística textual em sua vertente sociocognitivo-discursiva. A partir de uma concepção que investe na multiplicidade de fatores concernentes à produção e compreensão de sentidos, é possível propor análises de diversos fenômenos textual-discursivos, a saber: referenciação, construção tópica, intertextualidade, argumentação, polifonia, multimodalidade, organização sociorretórica, organização tipológica, coerência, coesão, entre outros. O objetivo deste simpósio reside, pois, na partilha de conhecimentos oriundos das investigações que contemplem tais fenômenos. Ressalte-se, ainda, que a vocação inerentemente multidisciplinar da linguística textual possibilita interfaces com outras áreas da teorização linguística (estudos da cognição, análises do discurso, semiótica, entre outras), de modo que também se pretende contemplar as pesquisas que promovam o diálogo entre os estudos do texto e outras perspectivas. Finalmente, o simpósio abriga as investigações que tratam do ensino de língua (materna ou estrangeira) com foco na mobilização de estratégias textual-discursivas para o desenvolvimento da competência comunicativa dos aprendizes.

ST05. Análise discursiva dos domínios do poder
Coordenadores:

Drª Karina Falcone (UFPE)
Drª Lilia Noemia Torres de Melo Guimarães (UFPE)


O presente Simpósio Temático parte da perspectiva de que a Análise Crítica do Discurso (ACD) constitui-se em um campo de estudo que se preocupa em descrever e explicar como, a partir de uma abordagem discursiva e cognitiva, o abuso de poder atua, é reproduzido ou legitimado pelos grupos e instituições dominantes (VAN DIJK, 2008). A abordagem crítica procura analisar e revelar o papel do discurso na (re)produção da dominação, ou seja, dedica-se a investigar as práticas discursivas como ações públicas que podem influenciar na formação de ideologias e desempenhar uma variedade de funções sociais, tais como a (re)produção da discriminação étnica, social, sexista etc. Nesse sentido, a proposta deste simpósio, de maneira geral, é reunir trabalhos que se dedicam a analisar o papel do discurso nas relações de poder da sociedade (mídia, governo, escola etc.). Bem como promover reflexões e discussões sobre os usos, as funções e as influências que esses discursos exercem nas sociedades contemporâneas. Sendo assim, aceita trabalhos que se fundamentam na perspectiva da Análise Crítica do Discurso, como também, da Análise Sociocognitiva do Discurso (AD Cognitiva), a qual apresenta como princípio fundamental a cognição, operando na interface da relação entre discurso sociedade.

ST06. Estudos descritivos de Línguas Indígenas
Coordenadores:

Aldir Santos de Paula (UFAL)
Stella Telles (UFPE)


O Brasil tem em seu território cerca de novecentos mil índios (IBGE, 2015), distribuídos entre os duzentos povos indígenas, presentes em quase todos os estados brasileiros, que falam mais de cento e sessenta línguas (RODRIGUES, 1997), expostas ao inevitável e crescente contato com a sociedade nacional. Mesmo sem levar em consideração o decréscimo populacional dos povos indígenas desde o início da colonização, a atual diferença entre o número de povos e línguas é resultante da perda linguística vivenciada por um número significativo de povos. Com uma produção cada vez mais expressiva, as pesquisas realizadas sobre os povos e as línguas indígenas possibilitaram a ampliação do conhecimento, ainda que parcial e incompleto, sobre as línguas indígenas, de forma que uma parcela delas já possui descrições linguísticas. Desta forma, os estudos descritivos propiciam o “conhecimento sistemático dos fatos de uma língua”, além de fornecer “ao lingüista teórico uma base de dados confiável para construir e testar eventuais teorias” (PERINI, 2006). A realização dos estudos descritivos, que visem à documentação e propiciem o fortalecimento de políticas e ações para a salvaguarda das línguas, ainda precisa de um esforço coletivo maior, sobretudo por se tratarem de línguas minoritárias e sem prestigio social nas suas relações de contato com o mundo envolvente. Este simpósio sobre Línguas Indígenas objetiva propiciar um espaço para discussão e troca de experiências e os trabalhos podem contemplar a descrição linguística com foco nos diferentes níveis da língua (fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e suas interfaces), os estudos comparativos e os de perspectiva histórica. Além disso, trabalhos que estabeleçam a articulação com a antropologia, a história, a educação, a saúde, a música e a literatura, entre outras áreas, são fundamentais e enriquecem o registro e a documentação linguística, os quais são encorajados e bem-vindos para o conjunto das discussões.

ST07. O ensino de literatura: interfaces do texto literário com as artes e as mídias
Coordenadores:

José Jacinto dos Santos Filho (UPE)
Thelma Panerai Alves (UFPE)


O ensino de literatura, nos dias atuais, tem exigido do professor um olhar mais atento sobre suas ações em sala de aula com o texto literário e sobre a forma como esse texto está sendo intermediado para a formação do leitor. Dialogar sobre o ensino de literatura é também refletir sobre as várias relações que o texto literário mantém com as artes e as novas mídias. Ou seja, é interligar um diálogo crítico e epistemológico entre literatura, artes e mídias. Neste sentido, consideramos fundamental a compreensão das diversas maneiras como o texto literário está sendo veiculado e suas implicações para a leitura e a formação do leitor. Assim, o objetivo desse simpósio é fazer uma ampla reflexão sobre o ensino de literatura, considerando as várias interrelações do texto literário com a intersemiose, a intermidialidade e as interartes, em espaços onde a criatividade ganha força e expressão.

ST08. Inclusão escolar e ensino de línguas estrangeiras: políticas, práticas e formação de professores
Coordenadores:

Betânia Passos Medrado (UFPB)
Angélica Maia (UFPB)


A inclusão educacional de alunos com deficiência em classes regulares da Educação Básica tem se tornado, nos últimos anos, foco de discussão em diferentes espaços, haja vista a necessidade de garantir, mais efetivamente, o pleno exercício desse grupo ao direito básico de frequentar uma escola e aprender de acordo com suas características e necessidades. A inclusão está pautada no princípio de igualdade social (BRASIL, 1998) e, mais recentemente, assegurada pela Lei Brasileira de Inclusão (2015) que dispõe¸ no capítulo IV, sobre os direitos da pessoa com deficiência a um sistema educacional inclusivo. Em um sentido mais amplo, a política de inclusão pressupõe o respeito às necessidades individuais de todos os alunos. Dessa maneira, a concretização de uma escola inclusiva prevê o (re)conhecimento das diferenças e a promoção de espaços nos quais não haja discriminações, rejeições ou restrições. Assim, é premente um olhar sobre nosso sistema educacional atual para que seja possível compreender e construir os caminhos que nos levem, de fato, a uma escola mais justa e, por conseguinte, mais inclusiva. Fundamentando-se nos princípios de que a pesquisa não pode ficar imune às ocorrências, singularidades e desigualdades do mundo social (MOITA LOPES, 2009; 2013), as pesquisas reunidas neste simpósio devem situar-se no âmbito da Linguística Aplicada e trazer para o debate as diferentes questões que envolvem o ensino de línguas estrangeiras a alunos com deficiência, quais sejam: a formação de professores, as políticas educacionais e a adaptação de material didático, de forma a atender às necessidades de acessibilidade pedagógica de cada tipo de aluno com deficiência.

ST09. Variação e mudança linguística no português brasileiro
Coordenadores:

Adeilson Pinheiro Sedrins (UFRPE)
Edmilson José de Sá (AESA)


Este simpósio busca reunir trabalhos desenvolvidos no âmbito da descrição e análise linguística, nos diferentes níveis gramaticais, que contribuam para o melhor entendimento da variação e da mudança em variedades do português. Assim, pretende-se reunir trabalhos que tratem dos fenômenos linguísticos do português brasileiro explicados pelo viés da Sociolinguística (LABOV, WEINREICH &HERZOG,1968; LABOV, 1966; 1972; 1983; 1994; 2001), que permite explicar a variação dos fenômenos à luz da interferência de restrições sociais a exemplo de sexo, gênero, faixa etária e escolaridade e da Dialetologia, que permite delimitar, através do método da Geolinguística, os espaços onde os fenômenos se sobressaem em detrimento de outros ambientes em que ocorre inibição das variantes. Espera-se, dessa forma, reunir pesquisadores de diferentes instituições brasileiras de ensino superior que possam compartilhar seus estudos mais recentes e aprofundar a reflexão sobre o grau de diversidade e variação do português no Brasil e os aspectos que indicam tanto a conservação quanto a inovação dos fenômenos mais acentuados nos falares descritos.

ST10. Pesquisa linguística sob o viés funcionalista
Coordenadores:

Edvaldo Balduino Bispo (UFRN)
Camilo Rosa (UFPB)


As pesquisas linguísticas de cunho funcionalista tomam por base, em suas análises, contextos comunicativos reais e, com isso, contribuem significativamente para a descrição, a explicação e a interpretação dos fenômenos sob investigação. Evidenciam aspectos e motivações tanto de natureza semântico-cognitiva quanto de caráter pragmático-discursivo neles implicados. Acompanhando essa orientação, este simpósio focaliza estudos que investigam variados fenômenos linguísticos a partir de suas condições reais de uso, levando em consideração os diversos fatores sociointeracionais e cognitivos envolvidos nos arranjos morfossintáticos que assumem as construções linguísticas. O pressuposto é que a codificação de determinados elementos tem a ver com as funções que eles desempenham na interação discursiva e se relaciona diretamente aos propósitos comunicativos que se quer alcançar. (GIVÓN, 2001; FURTADO DA CUNHA et al, 2015). Também serão contempladas pesquisas que discutam desdobramentos e alcances dos resultados de estudos sob a vertente funcionalista para o ensino de língua portuguesa na Educação Básica.

ST11. Cultura escrita e tradição popular
Coordenadores:

Beliza Áurea de Arruda Mello (UFPB)
Linduarte Pereira Rodrigues (UEPB)


A imagem do labirinto de Creta mostra um homem perdido em caminhos e descaminhos em busca de saídas, masseu percurso é mais importante do que as saídas. Assim também são as escrituras populares: labirintos de vozes codificadas em grafiasartesanais preocupadas em transmitir mensagens impregnadas de sensibilidades, de emoções, de costumes... Essas mensagens são filtradas pelo calor da memória e nelas o leitor/receptor devaga mediante um olhar progressivamentedecifrador dos movimentos tecelões das vozes das culturas populares: os cochichos, as rezas, as danças, as cantorias, as declamações, as preces, os presságios... Saberes de culturas que, repousandoem papéis, nas paredes, nas madeiras, no barro, em tecidos e no corpo, além de tanto outros objetos/suportes das memórias coletiva e familiar, permitem a (res)significação das práticas sociais dos sujeitos que habitam nas bordas da sociedade contemporânea. É neste âmbito de discussões acadêmicas que esperamos reunir pesquisas que permitam ampliar as reflexões já iniciadas acerca da materialização de vozes querepousam em grafias plenas de sabedorias populares e que são cifradas em prol da função mágica de atualização da palavra.

ST12. Linguística Sistêmico-Funcional em diálogos
Coordenadores:

Medianeira Souza (UFPE)
Wellington Vieira Mendes (UERN)


Este simpósio temático, centrado na Linguística Sistêmico-Funcional/LSF, adota os postulados de Halliday (1994/2004/2014), cujas bases residem na compreensão da linguagem humana como potencial semiótico e na concepção de que os princípios básicos da LSF se constituem também como aparato teórico-metodológico capaz de subsidiar outros modelos analíticos. Objetiva, por conseguinte, congregar trabalhos em que a orientação teórica de análise seja a própria Linguística Sistêmico-Funcional/Gramática Sistêmico-Funcional, como também aqueles que a tomam como aporte metodológico, quais sejam: a Gramática do Design Visual, a Linguística de Corpus, a Análise Crítica do Discurso e a Linguística Aplicada ao ensino de línguas. A socialização e discussão sobre trabalhos de filiação comum, que reflitam os usos da linguagem, seja no plano da descrição linguística das línguas naturais, seja na sintaxe imagética dos diversos gêneros, na veiculação de ideologias constitutivas de nossas práticas sociais, seja ainda na busca de entendimentos que favoreçam o ensino-aprendizagem de línguas ou outras disciplinas, configura-se meta maior deste simpósio.

ST13. 50 anos de Gramática Gerativa no Brasil: revisitação, desafios e agenda
Coordenadores:

Dorothy Brito (UFRPE)
Marcelo Sibaldo (UFPE)


De acordo com Kato & Ramos (1999, p. 105), “[a] primeira notícia no Brasil sobre gramática gerativa veio de dois artigos publicados na revista Tempo Brasileiro, em 1967 [...]”. Dessa forma, neste ano, a gramática gerativa no Brasil comemora o seu 50º aniversário e, como forma de debater os progressos, alcances e prospectos dessa teoria em território brasileiro, propomos este simpósio temático, cujo objetivo é promover um espaço para a apresentação de trabalhos que tragam novos dados e novas perspectivas metodológicas para o estudo das línguas brasileiras, com embasamento teórico na gramática gerativa ou, ainda, revisitem dados e análises já empreendidas para essas línguas, com o intuito de dimensionar quais foram os progressos, tanto de cunho descritivo-explicativo, quanto de cunho teórico-epistemológico. Com a promoção da discussão de dados já descritos e de novos dados dessas línguas, e desenvolvimentos em relação à metodologia, temos a intenção de, por um lado, traçar uma agenda para a sua descrição e análise, como forma de cobrir outras partes pouco exploradas das suas gramáticas e, por outro, refletir sobre o que falta ser feito para se entender as gramáticas dessas línguas, e como a descrição-explicação desses fenômenos pode contribuir para se entender a Gramática Universal. Assim, serão muito bem-vindos estudos de interface, comparativos, diacrônicos e experimentais que tragam uma discussão sobre (mas não somente): morfossintaxe do português brasileiro, da LIBRAS e das línguas indígenas brasileiras, ensino e gramática gerativa, variação morfossintática, aquisição das línguas brasileiras, epistemologia da gramática gerativa, dentre outras questões suscitadas pela análise e descrição de cunho gerativista das línguas oriundas do nosso país.

ST14. Cognição e produção de sentidos: questões teóricas e analíticas
Coordenadores:

Silvana Maria Calixto de Lima (UESPI)
Heloísa Pedroso de Moraes Feltes (UCS)


O objetivo deste simpósio é congregar estudos que abordem a temática da produção de sentidos a partir das teorias erigidas no âmbito da Linguística Cognitiva. Intencionamos, assim, reunir pesquisadores que tenham interesse pelo tema e possam contribuir para ampliar as discussões em torno dessa temática crucial para a referida área. Nessa perspectiva, os trabalhos podem contemplar diferentes olhares sobre a produção de sentidos nas mais diversas manifestações da linguagem, abrindo-se espaço também para estudos que dialoguem com outras áreas na investigação do tema proposto para o simpósio.

ST15. O processo de crioulização na escrita pós-colonial
Coordenadores:

Enilce Albergaria ( UFJF)
Tânia Lima ( UFRN)


O presente simpósio observa a transformação das línguas europeias em um diálogo transcultural com as línguas dos povos que foram colonizados. Ao redor da lareira do discurso e do trabalho da escrita o que dizer das inscrituras orais e subalternizadas, à procura de pilotar um lugar ao sol, um espaço à vida, em busca de contar o que acontece no subsolo da opressão social do verbo. A configuração dos processos de crioulização nas escritas das margens é ainda visto por muitos como lugar povoado de lacunas no território da linguagem. Ao se abordar temas transversais referentes à questão do discurso e do texto no espaço das culturas marginalizadas, faz-se necessário averiguar a crioulização dos signos, das frases e narrativas a partir da perspectiva do lugar da exclusão. Em sintonia com as raízes rizomáticas do idioma, se "a cultura é, em primeiro lugar, a expressão de uma nação, de suas preferências, tabus e modelos, falar também é uma forma de existir e resistir de modo absoluto para o outro”, lembramos aqui Frantz Fanon, e Glissant: “O discurso de semelhantes comunidades oprimidas (a trama obscura onde seu silêncio nos fala) deve ser estudado quando queremos compreender profundamente o drama dentro do qual a Relação mundial acontece [...] A análise do discurso evidencia o que sobressai, pouco a pouco da imensa trituração planetária, e que permite a essas comunidades continuar ainda a resistir”. A voz do silenciado estabelece em tensão permanente diálogos que se encontrammergulhados nas raízes culturais das encruzilhadas plurilinguísticas e multiculturais. Nesse percurso, pretende-se revisitar os espaços da escrita pós-colonial que reivindica o poder de falar, como bemindaga G. Spivak: "Pode a subalterna falar"? Diferente da cartografia tradicional, que reivindica uma gênese, um mapa linear, a escrita contemporânea desterritorializa, mapeia lugares heterotópicos, espaços rizomáticos, que tensionam práticas de resistência à procura do signo e da linguagem emancipatórios. O marco teórico centra-se nas leituras deF. Fanon, G. Spivak, E. Glissant

Palavras Chave: Crioulização. Pós Colonialismo. Africanidades.

ST16. História da Cultura escrita: entre representações, práticas, leitores e escritores
Coordenadores:

Thiago Trindade Matias (UFAL)
Maria Ester Vieira de Sousa (UFPB)


Este simpósio objetiva contemplar trabalhos que se alinham aos estudos culturais, às perspectivas abertas pelos estudos da história da leitura, enfocando o leitor e os objetos dados a ler, os modos de escrever e modos de apropriação do escrito. Busca-se congregar propostas de trabalho que tenham como preocupação abordar essas práticas sociais e culturais de leitura e escrita em diferentes contextos e em diferentes épocas. Os modos como determinados sujeitos têm/tiveram acesso ao escrito, por exemplo, revelam formas escolares – que nos falam da história da educação – e não escolares (ou não escolarizadas) – que nos dizem dos diferentes modos ou as diferentes dinâmicas de circulação do escrito na sociedade. Logo, este simpósio pretende contribuir para refletir acerca da função da escrita, atentando para os usos e significados que essa prática assume na sociedade. As discussões aqui propostas são também um espaço de diálogo entre áreas conexas que se voltam para o trabalho como e sobre o arquivo, para a história e o papel das bibliotecas em diferentes momentos e lugares. Pretendemos aprofundar, neste simpósio, um debate que se apresenta na interface entre os estudos da história da cultura escrita, da história da educação (in)formal e os estudos culturais. Nesse sentido,há uma articulação com as pesquisas da linguística, pelo viés do discurso e das práticas discursivas.

ST17. LIBRAS: Domínios e interfaces na investigação linguística
Coordenadores:

Jurandir F. Dias Jr. (UFPE)
Maria Janaina Alencar Sampaio (UFRPE)


Este simpósio temático visa acolher pesquisas na área de Libras, uma língua natural moderna, nos seus diversos níveis de investigação. Elementos referentes à sua constituição fonológica, a sua possibilidade de estruturação sintática, aos seus aspectos morfológicos, pragmáticos e semânticos. Destina-se também esse simpósio a tratar de pesquisas sobre o ensino da Libras como primeira língua, como segunda língua, sua aquisição e aprendizado. A este simpósio também interessa o tema da tradução e interpretação, evento bastante relevante no estudo desta língua, bem como questões referentes à sua interface com o português brasileiro. Não podemos deixar de mencionar as políticas públicas que concedem a educação bilíngue para surdos, como a Lei 10.436 / 02 e o Decreto 5.626 / 05, bem como a literatura visual / surda e sua relevância para formação do leitor surdo sob a perspectiva de fortalecer sua identidade cultural, destinando-se a construção e desenvolvimento de uma tradição literária surda.

ST18. A formação e o trabalho docente sob diferentes perspectivas teórico-metodológicas
Coordenadores:

Fábio Pessoa da Silva (UFPB)
Tatiana Fernandes Sant'ana (UEPB)


Tematizar o agir docente é algo que requer uma compreensão da multidimensionalidade constitutiva da atividade educacional e de suas peculiaridades no tocante aos processos de ensino-aprendizagem. Hoje é consensual a ideia de que a formação do professor incide diretamente em sua atuação profissional, isto é, os modos de agir refletem a maneira como os objetos do saber são apreendidos e didatizados em sala de aula. Em vista disso, tem-se observado um número significativo de pesquisas no campo da Linguística Aplicada com foco na formação e/ou na atuação dos professores, sobretudo no Brasil, como as explicitadas em Kleiman (2001; 2005), Bueno; Lopes e Cristóvão (2013); Pereira; Medrado e Reichmann (2015), só para citar algumas, as quais têm sido desenvolvidas a partir de diferentes perspectivas teórico-metodológicas, a exemplo do Interacionismosociodiscursivo, da Teoria dialógica do discurso; dos Estudos do letramento, entre outras. Apresentando como eixo norteador o paradigma interacionista, tais pesquisas têm abordado temas os mais variados, seja no âmbito das análises do ensino como trabalho, seja no dos processos de instrumentação didático-pedagógica. Trata-se de um domínio de investigação trans/multidisciplinar, o qual implica o diálogo entre ideias convergentes e metodologias acessíveis ao estudo do agir humano/social. Considerando tal contextualização, este simpósio tem o objetivo de reunir pesquisas (em andamento ou concluídas) que tratam da problemática da formação e do trabalho docente em diferentes perspectivas teórico-aplicadas. No tocante à formação (inicial e/ou continuada), interessa-nos investigações acerca de processos formativos envolvendo a apreensão e/ou ressignificação do gênero da atividade profissional – representações docentes, concepções de trabalho e vivências em estágio supervisionado. No tocante ao trabalho docente, o foco são as pesquisas que versam acerca dos processos de transposição didática e/ou de produção/elaboração de dispositivos didáticos – experiências de ensino-aprendizagem nos diferentes segmentos educacionais, envolvendo a leitura, a escrita e a análise linguística.

Palavras-chave: Paradigma interacionista; Linguística Aplicada; Formação e Trabalho docente.

ST19. Análise de materializações de linguagens sob diferentes perspectivas teórico-metodológicas
Coordenadores:

Bruna Lopes Fernandes Dugnani (UFRPE)
Thais Ludmila da Silva Ranieri (UFRPE)
Walison Paulino de Araújo Costa (UFRPE)


Neste Simpósio de Trabalho, até pela diversa formação de seus Coordenadores, acolhemos propostas de trabalhos que se dediquem a investigar e a discutir materializações tanto da linguagem verbal quanto da não verbal, levando em conta principalmente enfoques teórico-metodológicos que prezem pela Multimodalidade, pelo Letramento Visual, pela Gramática do Design Visual e pelos Estudos Bakhtinianos. Por se tratar de um grupo que se contextualize acadêmica e profissionalmente no âmbito da Linguística Aplicada, cujo objeto de discussão é a linguagem na interface com contextos de relevância cultural e sócio-histórica, interessamo-nos por quaisquer propostas que perfilem essas características acima.

ST20. Experiências e ações do PIBID para formação de leitores na Educação Básica
Coordenadores:

Elias André da Silva (UFAL)
Marcelo Ferreira Marques (UFAL)


O simpósio se destina a abrigar trabalhos, derivados do PIBID, que relatem ou proponham ações e experiências voltadas para a formação de leitores, em âmbito de Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica. Os proponentes podem ser coordenadores(as) de área, supervisores(as) e bolsistas de iniciação à docência. Pretende-se que o Simpósio – que tem motivação no Subprojeto “Formação de leitores de textos literários e não-literários no Ensino Médio”, do Curso de Letras da UFAL, campus de Arapiraca – possa criar um espaço para socialização de ações, experiências e propostas com outros Subprojetos que invistam nesta linha. Serão aceitos, dessa forma, relatos de experiências realizadas ou em andamento e demais gêneros de trabalhos advindos por essa capilaridade Pibidiana.

Palavras-chave: PIBID. Formação de Leitores. Língua Portuguesa. Literatura.

ST21. Estudos da oralidade em gênero diversos
Coordenadores:

Deywid Wagner de Melo (UFAL)
Eliane Vitorino de Moura Oliveira (UFAL)


Este simpósio trata dos estudos da oralidade voltados aos diversos gêneros textuais/discursivos em quaisquer abordagens teórico-metodológicas como Linguística Textual, Análise da Conversação, Sociolinguística, Retórica, dentre outras, quer sejam relacionados à sala de aula, quer sejam relacionados aos contextos sociais que envolvem ambientes profissionais ou da vida cotidiana do ser humano. Tendo em vista a importância que a oralidade possui na vida dos sujeitos que atuam nas suas diversas práticas sociais, pois ao abrir a boca o interactante já produz textos que constituem gêneros textuais/discursivos conforme o propósito comunicativo pretendido, o simpósio objetiva reunir trabalhos que privilegiam a temática em pauta, a fim de que se possam mostrar análises de gêneros nas perspectivas apresentadas. As abordagens metodológicas podem ser de natureza qualitativa, quantitativa ou quali-quantitativa, conforme as pretensões das pesquisas realizadas ou em processo. Os autores com os quais se buscam dialogar são Marcuschi (1998), Castilho (1998), Fávero et. al (2000), Preti (2004), Ricardo-Bortoni (2004), dentre outros. À luz das teorias desses autores, pretende-se evidenciar as marcas da oralidade materializadas nos textos/discursos dos diversos gêneros existentes na complexidade das relações humanas.

Palavras-chave: Oralidade. Gêneros textuais/discursivos. Práticas sociais.

ST22. Ensino de língua portuguesa: questões da prática docente e formação do professor
Coordenadores:

Elaine Cristina Nascimento da Silva (UFRPE)
Hérica Karina Cavalcanti de Lima (UFRPE)


Um dos objetivos do ensino de língua materna é formar o usuário competente da língua que seja, ao mesmo tempo, leitor proficiente e produtor autônomo dos diversos textos orais e escritos que circulam socialmente. Para alcançar esse objetivo, o professor de português precisa articular, em suas práticas, atividades de leitura, oralidade, produção de textos e reflexão sobre a língua, tendo o texto como ponto de partida e de chegada. Nesse sentido, seu fazer docente deve estar direcionado à ampliação das práticas de letramento dos alunos, através da promoção e vivência de situações de uso da língua significativas e diversificadas. Em face disso, a formação inicial do professor de português precisa estar ancorada em pressupostos teórico-metodológicos que considerem a língua como interação entre os sujeitos, mediadora das relações sociais cotidianas, criada e recriada no fazer diário, no uso. O professor, por sua vez, deve incorporar a sua prática uma concepção de avaliação formativa, que atue, continuamente, como reguladora do ensino e da aprendizagem. Para colocar em prática tais perspectivas e pressupostos teórico-metodológicos, o professor precisa contar com o apoio de variados recursos didáticos e tecnológicos. A esse respeito, vale ressaltar a necessidade de um olhar crítico sobre os materiais disponíveis, principalmente sobre o livro didático, ferramenta de ensino amplamente utilizada nas salas de aula. Da mesma forma, o uso das novas tecnologias deve ser feito com vigilância, de modo a garantir sua pertinência e adequação ao ensino-aprendizagem pretendido. Espera-se, ainda, que o professor conte com o apoio das propostas curriculares dos mais diversos âmbitos (nacional, estadual, municipal), cuja tarefa é oferecer diretrizes e orientações para ajudar o professor a empreender um ensino diferenciado e eficaz. Nessa perspectiva, este simpósio pretende debater questões voltadas às práticas de ensino-aprendizagem de língua materna e à formação de professores. Para tanto, receberá pesquisas concluídas ou em andamento que versem sobre ensino-aprendizagem de leitura, produção de textos orais e escritos e análise linguística; práticas de letramento; materiais didático-tecnológicos no ensino de língua materna; avaliação do ensino e da aprendizagem de língua portuguesa; propostas curriculares para o ensino de português; formação de professores de língua materna; entre outros temas que dialoguem com a Linguística Aplicada e relacionem educação e linguagem.

ST23. Processamento da Linguagem
Coordenadores:

Márcio Martins Leitão (UFPB)
José Ferrari Neto (UFPB)


O simpósio tem como objetivo dar visibilidade ao que tem sido feito em âmbito nacional sobre o processamento da linguagem, da mesma forma que pretende fomentar a discussão e o debate teórico e metodológico entre os que trabalham nesse campo. Para isso, pretende-se agrupar trabalhos que versem sobre o processamento linguístico nos vários níveis de descrição estrutural. Assim, serão aceitos trabalhos que foquem o processamento de informação fonética-fonológica, modelos de léxico mental e teorias de acesso e representação lexical, modelos e teorias de parser que contemplem o componente sintático da gramática, e o processamento de informação de cunho semântico. Busca-se, com esses trabalhos, prover evidências empíricas que sustentem hipóteses explicativas sobre fenômenos de desempenho linguístico observados em português (brasileiro ou europeu) ou mesmo em outras línguas. Especial ênfase será dada a fenômenos que estão na interface entre os níveis morfológico, sintático e semântico, como é o caso do processamento anafórico correferencial (inter e intrassentencial), o qual está na interface sintaxe-semântica/pragmática, bem como a fenômenos ligados ao processamento linguístico por sujeitos portadores de patologias de linguagem (como a dislexia, a afasia e a gagueira entre outros), e fenômenos relacionados ao processamento linguístico em bilíngues. Estudos sobre aquisição de linguagem que assumam uma perspectiva de processamento linguístico infantil e um modelo de gramática internalizada, buscando caracterizar habilidades precoces de processamento lexical e sentencial, além de objetivarem a caracterização do desenvolvimento da capacidade de processamento fônico e morfossintático, também serão aceitos. Os trabalhos devem se enquadrar não só no tema do processamento linguístico, na forma como aqui descrita, mas devem também utilizar metodologia experimental em algumas das várias técnicas off-line e on-line existentes: leitura automonitorada, priming, julgamento de gramaticalidade controlado, audição automonitorada, rastreamento ocular, EEG, FMRI, etc. O referencial teórico sugerido será o da linguística formal, em sua vertente gerativista, bem como o de teorias de processamento linguístico que assumam uma visão modular da arquitetura cognitiva humana e a existência de um componente inato para a aquisição e desenvolvimento da linguagem, o que não impede que estudos conduzidos sob uma ótica não-modular sejam apresentados. Além disso, espera-se a participação de pesquisadores que possam prover insights sobre o processamento linguísticos advindos de áreas afins, como a Psicologia Cognitiva e a Neurociência da Linguagem.

ST24. Literatura subalternas em perspectiva transcultural
Coordenadores:

Ricardo Postal (UFPE)
Inara Ribeiro Gomes (UFPE)


Lugar privilegiado de ação das vozes subalternas, a literatura contemporânea tem se tornado um terreno fecundo e dinâmico para a compreensão dos embates de poder realizados no âmbito da cultura e do imaginário. Contornando o silenciamento provocado pelo cânone (essencialmente formado por autorias masculinas, brancas, heterossexuais, urbanas), a literatura criada pensando na representação de outras experiências e vivências apresenta a verdearia face da sociedade: múltipla, cambiante e democrática. Esse simpósio acolherá trabalhos teórico-analíticos que se debrucem sobre literaturas que compreendam autoria e representação feminina, negra, gay, trans, e queer, bem como de populações deslocadas ou minoritárias, como imigrantes, exilados, ciganos, indígenas. O ponto comum desses sujeitos é terem eles que lutar culturalmente para fazer com que a sociedade compreenda e respeite suas identidades. A aparição de tais literaturas promove fissuras nos muros que segregam culturas, estabelecendo nesses interstícios negociações e embates. O imaginário transcultural que está sendo gerado potencializa as próprias fronteiras do literário, uma vez que o que se considera literatura tem obliterado faces e vozes relevantes, não só por suas identidades (ditas periféricas, porém sendo perifericizadas pelas instâncias de poder) , mas principalmente pela elaboração estética de seus textos. Para tanto, as contribuições teóricas dos estudos culturais, feministas, negros, queers, subalternos e minoritários serão tomadas como fundamentais nas análises, que se apoiarão no pensamento de Edward Said, Gayatari Chakravorty Spivak, Homi Bhabha, Aimé Césaire, Walter Mignolo, Stuart Hall, Judith Butler, Teresa de Lauretis, Paul B. Preciado, bell hooks, entre outros.

ST25. Literaturas africanas: imaginário cultural, construção de identidades, teorias e epistemes
Coordenadores:

Kleyton Ricardo Wanderley Pereira (UFRPE)
Jean Paul D’Antony Costa Silva (UFRPE)


Durante o período de consolidação e independência dos países africanos, a literatura funcionou como um elemento de afirmação da identidade nacional em face à ideologia colonial. Apropriando-se criticamente do discurso hegemônico, algumas obras procuram (des/re)construir memórias a partir das vozes historicamente silenciadas por práticas que se interrelacionam às estruturas de poder do colonialismo, além de procurar realizar uma síntese entre elementos das narrativas da tradição oral e a herança escrita da literatura europeia. No Brasil, a recepção dessas obras se deu principalmente a partir do final da década de 1970 com a publicação da coleção “Autores Africanos”, um projeto inovador, num total de vinte e sete obras, que compunha um panorama relativamente duradouro e culturalmente diverso e que contribui até hoje para os estudos das literaturas do continente africano. Neste sentido, este simpósio pretende ampliar o debate sobre as literaturas africanas, aceitando trabalhos que tematizem questões relacionadas ao imaginário e a representação das identidades culturais, feminismos, heranças do colonial e do pós-colonial, tradição e oralidade, a relação das literaturas africanas com a teoria literária e novas epistemologias.

ST26. Língua, Literatura e Ensino de Espanhol como Língua Estrangeira
Coordenadores:

Sílvia Renata Ribeiro (UFPB)
Ruth Marcela Bown Cuello (UFPB)


A realização do Simpósio de Língua, Literatura e Ensino de Espanhol como Língua Estrangeira (ELE) justifica-se pela necessidade de promover um espaço de reflexão sobre práticas e teorias para os docentes e pesquisadores da língua, literatura e ensino-aprendizagem deste idioma. O evento pretende ser um lugar de reflexão e discussão sobre a situação do ensino-aprendizagem da Língua Espanhola no Brasil, a implementação desse idioma nas escolas, da atuação dos professores e sobre questões recorrentes à linguagem, ao ensino e à cultura de língua espanhola, em suas diversas manifestações. Deste modo, o evento estará aberto à participação de docentes e discentes dos cursos de licenciatura em Língua Espanhola e afins, mediante a apresentação de comunicações orais em temáticas diversas, tais como: Multiletramentos no ensino de ELE; Novas abordagens da Literatura no ensino de ELE; Gêneros textuais e o ensino de ELE; Mundo globalizado e as variedades do Espanhol; Ensino de Espanhol para fins específicos; Ensino de espanhol à distância.

ST27. Estudos multimodais em aquisição da linguagem
Coordenadores:

Marianne C. B. Cavalcante (UFPB)
José Moacir S. da Costa Filho (IFPB)


As pesquisas acerca da multimodalidade são recentes no Brasil, principalmente as que enfatizam essa abordagem na aquisição da linguagem. Tomando por base os pressupostos de Tomasello (1999) que concebe a língua/linguagem como um fenômeno sóciocognitivo, e, ancorados numa perspectiva da língua/linguagem como uma matriz linguística gesto-vocal (Kendon, 1982; McNeill, 1985, 1992, 2007). O simpósio proposto visa discutir trabalhos e pesquisas concluídas ou em andamento, que se insiram em tais perspectivas, com foco no período de aquisição da linguagem. Destaca-se que serão aceitos trabalhos tanto com foco em crianças com aquisição típica quanto com alterações/transtornos/singularidades/patologias. As propostas podem ser : experimentais, longitudinais, com dados de interação criança- criança; criança-adulto; criança-computador/tablets/celular; criança-professor.

Palavras-chave: Multimodalidade; Aquisição da Linguagem; interação.